Fardadas e com seios de fora, Maria e Daniela são incentivo à amamentação

Fotografias de policiais amamentando sensibilizam pelo rompimento de barreiras e desejo de fortalecer amamentação
03/08/2019 07:51 Saúde
Maria amamentando o filho de 1 anos e 7 meses. (Foto: Polícia Militar MS)
Maria amamentando o filho de 1 anos e 7 meses. (Foto: Polícia Militar MS)

Na Semana Mundial de Apoio a Amamentação, celebrado de 1° a 7 de agosto, Maria e Daniela são duas entre muitas mulheres que enfrentam a dificuldade de amamentar em locais públicos e no tempo que julgam ideais. Numa posição ainda mais difícil, dentro de uma instituição militar, as duas são policiais que conquistaram nos últimos anos o direito de amamentar durante a jornada de trabalho.

Nesta semana, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) assinou uma portaria que regulamenta a amamentação das policiais militares durante sua jornada de trabalho até que a criança complete 18 meses, prevendo intervalos que possibilitem a profissional realizar a amamentação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação até 2 anos de idade — ou mais. Isso significa que, se a mãe tem leite o suficiente, não há necessidade de introduzir fórmulas artificiais no cardápio.

Mas no senso comum, porém, roda a informação de que o ideal é amamentar só até os seis meses, colocando mães em uma situação “bombardeadora” de perguntas, julgamentos e olhares de reprovação.

A capitã Maria Eleutério de Arruda é uma das policiais mães da instituição militar que emocionou as redes sociais aos aparecer de farda, com os seios de fora, amamentando o próprio filho. A imagem usada na campanha a favor amamentação é emblemática e inspiradora diante da hierarquia que a farda transmite.

Com 15 anos de carreira dentro da polícia, Maria nunca foi impedida de amamentar o filho Samuel, de 1 ano e 7 meses. Ela teve os direitos garantidos logo no nascimento, mas se emocionou com a iniciativa porque sabe que, no passado, inúmeras mulheres deixaram seus filhos aos 4 meses de vida para enfrentar a rotina de trabalho sem direito algum.
“Eu não passei por isso e não consigo me imaginar longe dele. Eu agradeço por ter essa motivação, mas também faço questão de incentivar porque ainda não é uma realidade de todas, existem pessoas que trabalham em outras empresas e não tem essa possibilidade. Então, estamos tentando entrar na sociedade de uma forma diferente, para que a gente possa ser mulher, ser mãe e exercer nossa profissão”, comenta.

Maria diz que pretende prolongar o aleitamento materno até o dois anos de vida do filho, mas nos últimos meses, já perdeu as contas de quantas vezes ouviu a pergunta “não está na hora de parar de amamentar?”. “Principalmente quando o bebê passa de um ano. É dentista que pede para desmamar, as pessoas olham para você amamentando e se sentem incomodadas”, conta.

Mas ela diz não se importar porque sabe que amamentação é muito mais que alimentar o bebê. “É também amor e aconchego, que refletem no crescimento, na imunidade e no emocional. Por isso, cada mãe tem a sua decisão sobre o momento certo ou não de parar a amamentação”, explica.

Fardada e amamentando gêmeos, a policial militar Daniela Ramos, de 35 anos, também se emociona. “A amamentação foi e ainda é muito importante pra mim. E eu pude ter esse apoio no trabalho que, no geral, não acontece. E amamentar não é algo fácil, também é difícil, exige da força física e emocional da mãe, então ter essa abertura para continuar exercendo um direito e ao mesmo tempo trabalho é extremamente importante”.

Na visão de Daniela, apesar da portaria, há um longo caminho a percorrer fora do emprego. “Eu sou uma mãe de gêmeos, em que os dois mamam em mim. E isso já causou olhares sensíveis, de aprovação, como também já causou muitos olhares reprovadores com questionamento de até quando eu vou amamentar, o que é muito invasivo. Então é preciso incentivo, é preciso falar da amamentação e também apoiar as mulheres que querem amamentar os seus filhos”.

Os filhos de Daniela, Benício e Joaquim, nasceram prematuros e passaram momentos difíceis após no nascimento, em mais de 60 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensa). Nesse momento, a mãe não conseguia amamentar os bebês e vivenciou um momento doloroso à espera dos filhos no seio. “Mas eu fiquei forte, me transformei numa leoa para mostrar a eles que eu estava ali. Cheguei a ter calo nos seios para tirar o leite e não os deixar sem o alimento. Quando os tive nos braços, foi um dos momentos mais importantes da minha vida e quando descobri o quando a amamentação é transformadora”, conclui.

A Polícia Militar também esclarece que flexibilidade para as servidoras amamentarem não impacta no serviço público, uma vez que continuarão exercendo a profissão e “que é imprescindível que a policial militar esteja de com sua vida particular, para que atue de forma ainda mais eficiente e eficaz”, afirmou o Waldir Ribeiro Acosta, comandante geral.

 

 

 

Fonte: Thailla Torres / Campo Grandes News

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