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Casal ainda aguarda retorno ao Brasil após nascimento da filha gerada por barriga de aluguel na Ucrânia

Casal está em Kiev deste a primeira quinzena de junho e agora aguarda a documentação da filha Pietra para retornar a São José do Rio Preto (SP).

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O casal de brasileiros que enfrentou a pandemia do coronavírus para buscar a filha gerada em uma barriga de aluguel na Ucrânia ainda busca o retorno ao Brasil. A administradora Camila Pavan, 32 anos, e o fisioterapeuta Adriano Garbelini, 36, são de São José do Rio Preto (SP) e estão em Kiev desde o nascimento de Pietra, em 11 de junho.

Segundo informaram ao G1, a parte burocrática agora conta com a documentação da filha para conseguir retirá-la do país, sendo a certidão de nascimento e o passaporte.

“Nós tiramos a certidão ucraniana nessa semana. Demorou um pouco porque tinham muitos bebês, então estava cheio e demorou mais do que o de costume. Em média, com 25 dias, os brasileiros conseguem ir embora, mas por causa do coronavírus também teve um atraso”, afirma Camila.

Com a certidão de nascimento nas mãos, o casal terá que tirar o passaporte de Pietra para conseguir embarcar para o Brasil. Mas essa demora, segundo Camila, é vista até com bons olhos pelos pais.

“Com isso, a gente fica mais um tempo na Ucrânia para não voltar agora para o Brasil. A gente deve voltar só no fim do mês. Depois que tirar o passaporte, eu tenho de deixar a clínica. Estamos assustados com o coronavírus e Rio Preto está com muitos casos”, diz.

O casal tem de fazer o agendamento do passaporte com a embaixada na Ucrânia e o documento costuma sair praticamente no mesmo dia. “Vamos embora no fim do mês, mas ainda não temos data exata”, diz.

Camila e Adriano tiveram que cruzar o oceano Atlântico e enfrentar a pandemia do coronavírus para poder abraçar a filha pela primeira vez, que foi gerada por barriga de aluguel em Kiev, na Ucrânia.

Camila tem distrofia muscular, o que impede uma gestação tranquila. Eles tentaram uma barriga solidária com uma parente no Brasil, mas também não deu certo. Foi quando então pensaram em contratar uma barriga de aluguel.

Camila pesquisou em vários países onde é permitido, como nos Estados Unidos, Índia, Tailândia. Mas foi a Ucrânia o local escolhido.

Com tudo decidido, o casal foi para Kiev fazer a coleta do material genético do marido. Segundo a administradora, por causa da distrofia muscular, ela não pôde doar o óvulo. Assim, o embrião foi colocado em uma mulher escolhida por Camila.

Camila e Adriano, mesmo no Brasil, acompanharam os ultrassons, as informações das medidas do feto e fotos que vinham da clínica de Kiev.

O nascimento estava marcado para junho e o sonho do casal de ter a filha nos braços ganhou um contratempo. O coronavírus mudou o mundo e fechou fronteiras, como a da Ucrânia.

“Por causa da Covid tivemos muita dificuldade para chegar na Ucrânia. Pedimos autorização para o governo ucraniano e essa autorização chegou apenas três horas para o nosso voo. Imprimimos a autorização no aeroporto de Guarulhos”, afirma.

Já na Ucrânia, eles tiveram de ficar em quarentena em um hotel por aproximadamente 10 dias e realizaram o teste para detectar o coronavírus. Com ele negativo, puderam ir para o hotel escolhido pela clínica e aguardar o nascimento de Pietra.

“Quando percebi que teria a chance de não estar aqui quando ela nascesse, fiquei desesperada. Minha filha já não passou os nove meses dentro da minha barriga, ela passou na barriga de outra pessoa, e não queria perder mais um minuto longe dela. Foi muito exaustivo, fisicamente e psicologicamente. Nunca passamos por uma pandemia e não sabíamos o que encontrar porque cada país estava reagindo de um jeito”, afirma.

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